Eu quero a mesma
alegria de passar a margarina no pão
De pegar o ônibus
lotado
De dormir de tanto
cansaço
De ouvir meu som
arranhado
Eu quero a mesma
alegria de tocar meus pés, no chão frio da madrugada
De mudar de canal até
num encontrar nada
De dançar sozinho na
sala desarrumada
De gritar até não sai
mais nada
Eu quero a mesma
alegria de ouvir as mentiras, mais que mentirosas
De ouvir quanto me
amava
De sorrir para o nada
Eu quero a mesma
alegria de sentar no sofá da sala
De pentear meus cabelos
embaraçados
De cantar a mesma
canção errada
De me molhar com a
chuva fina da tarde
Eu quero a mesma
alegria de ouvir suas gargalhadas
De rir por nada
De chorar do nada
Eu quero a mesma
alegria de sempre
A alegria da luta de
todos os dias
A alegria de dormir e
acordar no outro dia
A alegria do arraia do
dia
Eu quero a mesma
alegria do vento balançado meus cabelos
Do sorriso do velhinho
que passa
Do pio do passarinho
Eu quero o de costume
Eu quero apenas
o de sempre

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