sábado, 15 de junho de 2013

O de sempre

Eu quero a mesma alegria de passar a margarina no pão
De pegar o ônibus lotado
De dormir de tanto cansaço
De ouvir meu som arranhado

Eu quero a mesma alegria de tocar meus pés, no chão frio da madrugada
De mudar de canal até num encontrar nada
De dançar sozinho na sala desarrumada
De gritar até não sai mais nada

Eu quero a mesma alegria de ouvir as mentiras, mais que mentirosas
De ouvir quanto me amava
De sorrir para o nada

Eu quero a mesma alegria de sentar no sofá da sala
De pentear meus cabelos embaraçados
De cantar a mesma canção errada
De me molhar com a chuva fina da tarde

Eu quero a mesma alegria de ouvir suas gargalhadas
De rir por nada
De chorar do nada


Eu quero a mesma alegria de sempre
A alegria da luta de todos os dias
A alegria de dormir e acordar no outro dia
A alegria do arraia do dia

Eu quero a mesma alegria do vento balançado meus cabelos
Do sorriso do velhinho que passa
Do pio do passarinho


Eu quero o de costume
Eu quero apenas

o de sempre


(Amanda Miranda)

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