domingo, 23 de junho de 2013







Escolhas

Na vida duas escolhas
Viver apagado ou viver reluzente
Viver ausente ou viver presente
Viver inanimado, transparente, discretamente
Viver somente,
Viver por viver
Viver brilhantemente, animadamente
Viver contente
Na vida dois papéis, protagonista ou figurante
O do canto ou do silencio
O da luz ou do escuso
Na vida
Escolhas...


(Amanda Miranda)
Companheira 

Quando o sol vai embora
as dores e temores ficam
os afazeres vão embora
 no quarto a escuridão fica.

Quando as ocupações
 vão embora, fica o nada
o nada para fazer, nada.

Sem nada, pensamos
no tudo, a dor aparece
a mesma de sempre
a velha indesejada amiga.

a velha companheira
das gentes tristes
tão íntima,tão conhecida.

Quando o sol vai embora
a aconchegante fica, revela
a face desconhecida mais
conhecida da gente.

A madrugada  vem, o sol
já vem,os afazeres vem


Quando o sol vai embora
as dores e temores ficam
os afazeres vão embora
no quarto a escuridão fica.
Tão intima, fica
assustadoramente amiga.

Amanda Miranda








Mãos que não tenho

Dentro de mim escuto uma voz
A voz do poeta grita e corta
A voz do poeta clama e sufoca

Tenho coração e alma de poeta
Mas não tenho mãos de poeta
Porque? Sempre pergunto

Dentro de mim uma força transpassa
Sinto essa força ferozmente
Ela grita e corta

Tenho coração e alma de poeta
Mas não tenho mãos de poeta
Mãos?

A força que transpassa a vida
A força que tantos desejam
Mas não tenho mãos de poeta.


(Amanda Miranda)

sábado, 15 de junho de 2013

O de sempre

Eu quero a mesma alegria de passar a margarina no pão
De pegar o ônibus lotado
De dormir de tanto cansaço
De ouvir meu som arranhado

Eu quero a mesma alegria de tocar meus pés, no chão frio da madrugada
De mudar de canal até num encontrar nada
De dançar sozinho na sala desarrumada
De gritar até não sai mais nada

Eu quero a mesma alegria de ouvir as mentiras, mais que mentirosas
De ouvir quanto me amava
De sorrir para o nada

Eu quero a mesma alegria de sentar no sofá da sala
De pentear meus cabelos embaraçados
De cantar a mesma canção errada
De me molhar com a chuva fina da tarde

Eu quero a mesma alegria de ouvir suas gargalhadas
De rir por nada
De chorar do nada


Eu quero a mesma alegria de sempre
A alegria da luta de todos os dias
A alegria de dormir e acordar no outro dia
A alegria do arraia do dia

Eu quero a mesma alegria do vento balançado meus cabelos
Do sorriso do velhinho que passa
Do pio do passarinho


Eu quero o de costume
Eu quero apenas

o de sempre


(Amanda Miranda)